PCPR prende suspeito e cumpre mandado em Cianorte durante Operação Perseu7 contra venda ilegal de dados pessoais
A Polícia Civil do Paraná (PCPR) cumpriu um mandado de busca e apreensão e prendeu um homem, de 31 anos, na manhã desta quinta-feira (24), em Cianorte, no Noroeste do Estado. A ação ocorreu em apoio à Operação Perseu7, deflagrada pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) para desarticular uma organização criminosa suspeita de manter uma plataforma clandestina de consulta e comercialização de dados pessoais.
A operação também foi realizada em outros cinco estados: São Paulo, Minas Gerais, Piauí, Espírito Santo e Pernambuco. Ao todo, mais de 80 policiais civis participaram da ação, que cumpriu mandados de prisão temporária e de busca e apreensão.
Durante a atuação da PCPR em Cianorte, foram apreendidos celulares, tablets, computadores e um HD externo. Os materiais serão encaminhados à PCDF para auxiliar no avanço das investigações.
Plataforma era usada para abastecer golpes
Segundo a investigação, a organização criminosa era responsável por uma plataforma clandestina de consulta de dados, que permitia acessar informações pessoais a partir de CPF ou CNPJ, incluindo nome, filiação, endereço, documentos, vínculos e processos judiciais.
As bases reuniam centenas de milhões de registros, que, conforme apurado pela polícia, eram obtidos por meio de vazamentos e exploração de vulnerabilidades em sistemas de órgãos públicos, conselhos profissionais e operadoras de telefonia.
De acordo com a PCDF, a plataforma funcionava como uma fonte de informações para criminosos aplicarem golpes em vítimas de todo o país, especialmente o chamado “falso advogado”, em que estelionatários utilizam dados reais de processos para se passar por profissionais da área jurídica e solicitar pagamentos.
Grupo teria movimentado mais de R$ 7 milhões
As investigações identificaram 13 integrantes da organização criminosa, com divisão de funções entre liderança, gestão financeira, desenvolvedores, fornecedores de bases de dados, operadores de fraudes, responsáveis por contas de terceiros e divulgação da plataforma.
A apuração aponta que, entre março de 2021 e março de 2026, o grupo teria movimentado mais de R$ 7 milhões, sendo mais de R$ 4 milhões apenas em 2025.
Segundo a polícia, os valores eram ocultados por meio de empresa de fachada, contas utilizadas para triangulação financeira e movimentações envolvendo criptoativos.
A organização investigada também estaria estruturando uma segunda plataforma semelhante.
Justiça determina bloqueio de bens
A Justiça determinou o bloqueio e o sequestro de bens, valores e criptoativos até o limite de R$ 7 milhões. A medida inclui imóveis, veículos de alto padrão e uma embarcação, além da retirada da plataforma investigada do ar.
Os envolvidos poderão responder pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro, receptação qualificada, invasão de dispositivo informático e estelionato. Somadas, as penas máximas podem ultrapassar 36 anos de reclusão.
A Operação Perseu7 recebeu esse nome em referência ao herói da mitologia grega Perseu, que derrotou a Medusa. Segundo a PCDF, a escolha representa o combate ao núcleo de uma estrutura criminosa que alimentava diversos golpes.
Fonte: Polícia Civil do Paraná (PCPR) e Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF)
Redação: Portal Giba Notícias

