Após 19 horas no IML, corpo de Miratzi é liberado e será sepultado sem velório em São Manoel do Paraná
Depois de permanecer cerca de 19 horas no Instituto Médico Legal de Paranavaí, o corpo da menina venezuelana Miratzi Kaireles Perez Mejía, de 8 anos, foi liberado e deve chegar a São Manoel do Paraná dentro de aproximadamente uma hora. Conforme informado pela família, o traslado seguirá diretamente para o Cemitério Municipal da cidade, onde ocorrerá o sepultamento ainda nesta noite. Não haverá velório, devido às condições em que o corpo se encontra.
A liberação acontece após dias de sofrimento e incerteza. O corpo permanecia no IML para a realização de exames periciais e para a confirmação oficial da identidade — procedimento obrigatório em situações de morte violenta. A demora aumentava a angústia dos familiares, que temiam um prazo ainda mais longo para a entrega.
Durante a tarde, a tia da criança, Kimberly Pérez, de 20 anos, relatou o que foi informado à família no instituto. “Reclamamos da demora e falaram para a gente que tem que fazer uma coleta de sangue e um exame da arcada dentária, e que isso pode demorar até 4 meses. Nós não queremos isso”, afirmou, emocionada. Em apelo público, completou: “Estamos muito mal, numa angústia muito grande. Só queremos sepultar nossa menina”.
Kimberly chegou a manifestar o receio de que a liberação pudesse levar meses, o que intensificava ainda mais o sofrimento da família, que aguardava apenas a possibilidade de se despedir. Após a conclusão dos procedimentos técnicos e a emissão dos documentos necessários, o corpo foi finalmente entregue.
A decisão de seguir diretamente para o cemitério foi tomada em razão do estado avançado de decomposição em que o corpo foi encontrado, depois de permanecer vários dias em uma área de mata até ser localizado por uma força-tarefa envolvendo as polícias Civil e Militar, equipes do Tigre, Corpo de Bombeiros e voluntários da comunidade — estes últimos entre os primeiros a chegar ao local.
A morte de Miratzi
O caso abalou profundamente São Manoel do Paraná desde a última quinta-feira, quando Daniel Luiz Ferrari, de 33 anos, atacou a ex-companheira, que está grávida de sete meses. Em seguida, ele entrou em contato com a namorada, mãe de Miratzi, pedindo que ela fosse até sua casa com a filha, sob o pretexto de entregar uma bicicleta de presente à criança.
Daniel solicitou que a namorada saísse para comprar cigarros em um mercado próximo e, ao retornar, a mulher já não encontrou mais a filha. O veículo utilizado por ele foi localizado abandonado no dia seguinte.
No domingo, Daniel foi encontrado em uma área agrícola. Segundo informações, ele reagiu à abordagem policial com uma faca e morreu no local. Poucas horas depois, o corpo de Miratzi foi localizado, encerrando de forma trágica uma sequência de crimes que comoveu a cidade e toda a região.
Daniel foi sepultado no início da manhã, com a presença restrita a poucos familiares. O túmulo tornou-se alvo de manifestações de indignação por parte da comunidade, revoltada com a brutalidade dos crimes.
No Cemitério de São Manoel do Paraná, um grande número de pessoas se concentra para acompanhar o sepultamento da menina venezuelana, em clima de profunda comoção.
(FOTO: Murilo Benício/Especial para OBendito)
Fonte: OBendito
Redação Luzitana – Portal Giba Notícias
