40 anos após descoberta do HIV, médicos relembram isolamento, suicídios e estigma

STEFHANIE PIOVEZAN
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Há 40 anos, a revista Science publicava a descoberta de um vírus. Tratava-se de um agente infeccioso encontrado nos gânglios linfáticos de um paciente atendido no hospital Pitié-Salpêtrière, em Paris, com sinais e sintomas frequentemente associados à Aids.

O artigo era encabeçado pelos pesquisadores franceses Luc Montagnier e Françoise Barré-Sinoussi, premiados mais tarde com o Nobel de Medicina pela revelação, e assinado por mais dez cientistas.
No texto, o grupo afirmava que o novo vírus, batizado em 1986 de HIV (vírus da imunodeficiência humana), poderia estar envolvido no desenvolvimento da síndrome, na época um grande mistério.

“A imprensa chamava de câncer-gay”, lembra a infectologista Zarifa Khouri. Em 1983, ela era residente no Hospital Emílio Ribas, em São Paulo, e atendeu alguns dos primeiros pacientes com Aids no país.

“O primeiro caso que atendi foi de um rapaz que era cabeleireiro e tinha frequentado saunas gays nos Estados Unidos. Ele deu entrada com diarreia e os professores diagnosticaram febre tifoide, mas não batia porque em adultos a febre tifoide provoca intestino preso”, recorda.

Ninguém sabia o que o homem tinha. Passados alguns dias, surgiram manchas roxas em seu calcanhar e na testa, e a equipe lembrou que as reportagens sobre a tal doença relatavam que os pacientes com frequência desenvolviam um tipo de câncer chamado sarcoma de Kaposi.

Leia Também: Líderes fazem pacto para acabar com Aids em crianças até 2030

A equipe se questionava: seria Aids? Mas ainda não havia um teste para confirmar e nem antirretrovirais para impedir a multiplicação do vírus no organismo. Assim, o caso continuou se agravando. Surgiu uma pneumonia e o homem morreu na UTI, com quadro de insuficiência respiratória.
“O que conseguíamos era tratar as infecções oportunistas e esses pacientes iam falecendo. Era uma sentença de morte. Quando eles descobriam que eram soropositivos, largavam a faculdade, largavam tudo”, afirma Khouri.

Ninguém entendia como a doença era transmitida, e os próprios médicos tinham medo de colocar as mãos nos pacientes. O contato com as visitas era feito por uma abertura na parede e a pergunta “Quanto tempo eu tenho de vida?” era frequente.
“Às vezes, saíamos para tomar um café do outro lado da rua e nos deparávamos com pacientes se jogando pela janela, cometendo suicídio”, conta a médica.

No caso das mulheres diagnosticadas com o vírus, a recomendação era a laqueadura, já que não havia controle da transmissão entre mãe e bebê.

“Um dia, eu estava no pronto-socorro e um casalzinho jovem, de 14, 15 anos, veio conversar. Eles eram usuários de drogas injetáveis, muito comuns naquela época, e pediram para não contar para ninguém que eles tinham HIV porque senão os dois seriam linchados na favela em que moravam. A discriminação era muito, muito grande”, lembra a médica entre lágrimas.

COQUETEL E DESAFIOS
O cenário começou a mudar em 1991, quando o mundo tinha 10 milhões de pessoas infectadas, de acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), e o Brasil somava 11.805 casos.
Foi nesse ano que o Ministério da Saúde deu início à distribuição gratuita de antirretrovirais. No ano seguinte, a combinação de AZT e Videx inaugurou o primeiro coquetel anti-Aids do país e, daí para frente, a inclusão de novos medicamentos aumentou a expectativa e a qualidade de vida dos pacientes.

“Com o coquetel, a pessoa já não tinha mais um tempo de vida definido”, compara Khouri. Ainda assim, os primeiros remédios provocavam diarreia e a perda de gordura no rosto evidenciava quem tinha a doença.

Outras mudanças foram o controle da transmissão entre mãe e bebê e, mais recentemente, o uso profilático dos antirretrovirais antes e após a exposição ao vírus. “Nosso maior desafio hoje é acertar na prevenção para diminuir o número de infecções”, avalia a médica.

José Valdez Madruga, coordenador do comitê científico de HIV/Aids da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia), cita outro obstáculo: a permanência do estigma. “Vemos famílias que expulsam filhos de casa e empresas que demitem funcionários por causa do HIV.”

“O mundo mudou muito nesses 40 anos, mas ainda vemos pessoas com diagnóstico tardio e doença grave pelo simples medo de fazer o teste de HIV”, relata. “Isso leva ao aumento de mortalidade e também a sequelas de doenças decorrentes da imunodepressão.”

De acordo com o Unaids (Programa das Nações Unidas em HIV/Aids), em 2021, 38,4 milhões de pessoas no mundo viviam com HIV. Naquele ano, o último com dados disponíveis, foram 650 mil mortes.

Desde o surgimento dos primeiros casos, 84,2 milhões de pessoas no mundo foram infectadas pelo HIV e 40,1 milhões morreram por doenças relacionadas à Aids.
Em todo esse período, houve apenas cinco relatos de cura, todos envolvendo o transplante de células-tronco de doadores com uma mutação no gene CCR5 que impede a entrada do HIV nas células.

“Nesta década, esperamos que os medicamentos continuem melhorando, com aumento no intervalo entre as doses e menos efeitos adversos, e principalmente sonhamos com a cura”, confessa Madruga.

“Espero presenciar esse momento, ver a cura ser anunciada”, diz Khouri.

 “A imprensa chamava de câncer-gay”, lembra a infectologista Zarifa Khouri. Em 1983, ela era resident…  Read MoreBrasil  Notícias ao Minuto Brasil – Brasil 

Leia mais

Ucrânia, China e yanomamis devem inspirar questões nos vestibulares de inverno

BEATRIZ GATTI
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Estudantes que vão prestar vestibulares de inverno devem estar ligados nos desdobramentos da Guerra da Ucrânia, em relações envolvendo a China e na crise de saúde pública dos yanomamis.

Foi o que disseram à reportagem três professores de cursinhos pré-vestibular sobre os temas da atualidade que podem aparecer nas provas de meio de ano em São Paulo.

As faculdades particulares –maioria entre as que iniciam cursos no segundo semestre– geralmente formulam questões mais factuais, diz o coordenador de ciências humanas do Cursinho da Poli, Rui Calaresi, que atua há 26 anos na área. A ideia, de acordo com ele, é medir se o candidato tem um acesso mínimo à informação.

O primeiro grande assunto que os vestibulandos podem esperar encontrar é o conflito entre Rússia e Ucrânia. A abordagem nos exames deve ir além da origem da guerra e explorar as consequências políticas, sociais e econômicas.

As sanções que o Ocidente impôs à Rússia, por exemplo, e seus impactos sobre o fornecimento de gás natural e petróleo na Europa podem render perguntas sobre o uso de combustíveis fósseis e o processo de globalização.

É justamente essa uma das apostas da vestibulanda Ana Beatriz Marques, 18, aluna do Cursinho CPV. “Que implicações causou a fala de Lula sobre a responsabilização dos dois países [pela guerra]? Quais as consequências disso para o Brasil? Talvez caiam questões do tipo”, diz ela, que quer cursar cinema na ESPM.

Embora já tenha conseguido uma vaga no processo seletivo de 2022, Ana fará a prova pela segunda vez, no dia 25 de junho, para tentar melhorar sua colocação e concorrer a uma bolsa.
“Minha maior dificuldade [na prova do ano passado] foi a parte de atualidades, porque eu não tive muitos espaços para conversar sobre o que estava acontecendo no mundo durante o ensino médio”, conta. Agora, no cursinho, ela tem uma aula quinzenal dedicada exclusivamente a temas em alta.

Também tem havido discussões sobre a China. “É o tema com a maior diversidade de aspectos atuais a serem cobrados”, afirma Vera Lúcia Antunes, professora de geografia no cursinho Objetivo há mais de 50 anos.

“Temos visto bastante nas aulas a questão da Nova Rota da Seda –projeto de investimento chinês em infraestrutura– e como a China intermediou a reaproximação de países marcados por conflitos entre si”, afirma Gabriel Mota, 17, aluno de terceiro ano da Escola Móbile, em São Paulo.
O estudante refere-se a Irã e Arábia Saudita, que retomaram suas relações diplomáticas após sete anos.

Gabriel quer cursar economia no Insper e vai fazer como treineiro a prova, marcada para 12 de junho.
Em termos de Brasil, o palpite dos professores e estudantes converge para a crise de saúde pública dos yanomamis, revelada em janeiro deste ano.

“A questão indígena volta e meia influencia vestibulares”, afirma Thomas Wisiak, coordenador de história do cursinho Etapa. “E o problema do garimpo não é novo. Ele se aprofunda e piora, mas são questões antigas.”

Na opinião do professor, os exames talvez não exijam informações específicas da crise sanitária na maior reserva indígena do Brasil, mas sim os diversos interesses em jogo.
A estudante Ana concorda. “É o primeiro vestibular depois que tudo isso veio à tona, então não seria algo repetitivo. Se eu montasse um vestibular, eu colocaria”, diz ela, “porque, como brasileiro, é muito importante ter consciência do que está acontecendo.”

Para as redações, um bom exemplo de tema que estimula a capacidade analítica e argumentativa dos candidatos é a discussão em torno do poder das big techs e da evolução da inteligência artificial.

O ChatGPT, chatbot desenvolvido pela OpenAI, tornou-se popular a partir de sua habilidade em compreender a linguagem humana e gerar respostas equivalentes.
“É um tema que pode ser abordado por ser muito polêmico. Ainda estamos engatinhando em entender como a inteligência artificial vai impactar na produção de conhecimento”, diz Calaresi, professor do Cursinho da Poli.

Leia Também: Idosa em situação análoga à escravidão há mais de 40 anos é resgatada no CE

 Foi o que disseram à reportagem três professores de cursinhos pré-vestibular sobre os temas da atual…  Read MoreBrasil  Notícias ao Minuto Brasil – Brasil 

Leia mais

Governo manda recolher lotes de feijão impróprios para consumo

O Ministério da Agricultura e Pecuária determinou o recolhimento de quatro lotes de feijão impróprios para consumo humano. Os produtos são das marcas Da Mamãe e Sanes.

De acordo com a pasta, os produtos apresentaram percentual superior a 15%, limite permitido, de grãos de feijão mofados e ardidos (fermentados), o que representa má qualidade e risco à saúde dos consumidores.

“Esses grãos podem conter micotoxinas prejudiciais ao organismo, causando intoxicações alimentares e reações alérgicas”, explica o diretor do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal, Hugo Caruso, conforme nota divulgada pelo ministério.

Os lotes foram identificados em uma operação anterior do Mapa, que apreendeu mais de 150 toneladas no estado do Rio de Janeiro. Após análise laboratorial, foi confirmado que não atendiam aos padrões de qualidade e segurança para consumo. Os feijões impróprios foram encontrados no estado do Rio de Janeiro e no Distrito Federal.

Os lotes são: lote 51 do feijão cores e lote 06 do feijão preto, ambos da marca Da Mamãe; e os lotes 030423 e 080323 do feijão preto da marca Sanes.

Se algum consumidor encontrar algum dos quatro lotes de feijão sendo vendido, deve denunciar imediatamente às autoridades. A denúncia pode ser feita pelo telefone do Mapa (61) 3218-2089 ou pelos órgãos de defesa do consumidor.

O Ministério da Agricultura recomenda que os consumidores verifiquem se tem algum pacote dos lotes e marcas citadas em casa ou em restaurante. Caso tenha adquirido algum produto impróprio, o consumo deve ser interrompido e é preciso entrar em contato com o estabelecimento onde foi comprado para que seja feita a devolução ou descarte.

A Agência Brasil tenta contato com as empresas.

 Os produtos são das marcas Da Mamãe e Sanes  Read MoreBrasil  Notícias ao Minuto Brasil – Brasil 

Leia mais

Idosa em situação análoga à escravidão há mais de 40 anos é resgatada no CE

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – Uma idosa de 78 anos que vivia em situação análoga à escravidão foi resgatada de uma casa em Fortaleza (CE).

Há mais de 40 anos a mulher fazia atividades domésticas em troca de comida e moradia;
Além de não receber pagamento, ela não tinha qualquer tipo de descanso ou registro de trabalho;
Donos da casa na qual a mulher trabalhava alegaram que ela era “da família” durante o resgate, registrado na segunda-feira (15);

A idosa foi levada para um abrigo e é assistida por equipes multidisciplinares. A família que a explorava responderá a uma ação civil pública.

Uma denúncia anônima levou os órgãos responsáveis até a casa na qual a vítima estava. A ação movida pelo Ministério Público do Trabalho pedirá indenização por danos morais, pagamento de salários e de verbas rescisórias à vítima. O valor ainda não foi precisado pelos órgãos competentes.

Ela trabalhava de domingo a domingo, sem folgas ou férias. Não tinha carteira de trabalho assinada, não recebia salário e não tinha períodos de descanso do trabalho, afirmou o Ministério Público do Trabalho, em nota.

 A idosa foi levada para um abrigo e é assistida por equipes multidisciplinares  Read MoreBrasil  Notícias ao Minuto Brasil – Brasil 

Leia mais

Nova carteira de identidade será emitida sem informação sobre sexo

O governo federal mudará  a apresentação da Carteira Nacional de Identidade (CIN) para tornar o registro mais inclusivo e representativo. O novo documento não terá mais distinção entre nome social e nome do registro civil. Dessa forma, passará a adotar o nome ao qual a pessoa se declara no ato da emissão. 

A carteira de identidade será impressa sem o campo referente ao sexo. O decreto que regulamentará a emissão da CIN com as alterações tem previsão de ser publicado no final de junho. A partir da divulgação da norma, todos os novos documentos já serão emitidos no novo modelo. 

As mudanças no Carteira de Identidade Nacional foram solicitadas pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, com o objetivo de promover mais cidadania e respeito às pessoas Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais, Queers, Intersexos, Assexuais e Outras (LGBTQIA+) e fazem parte do compromisso do governo federal com políticas públicas voltadas a este público. 

A Carteira de Identidade Nacional determina o CPF como número único e válido em todo território nacional. O documento está apto a ser executado em 12 estados: Acre, Alagoas, Amazonas, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Pernambuco, Piauí, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Para a emissão, a população deve procurar a Secretaria de Segurança Pública do estado onde deseja ser atendido.

Com a nova identidade, a probabilidade de fraudes é menor, visto que antes era possível que a mesma pessoa tivesse um número de RG por estado, além do CPF. 

A nova carteira terá um QR Code, que permite verificar sua autenticidade do documento, bem como saber se foi furtado ou extraviado, por meio de qualquer smartphone. Conta ainda com um código de padrão internacional chamado MRZ, o mesmo utilizado em passaportes, o que o torna ainda um documento de viagem.  

 O novo documento não terá mais distinção entre nome social e nome do registro civil  Read MoreBrasil  Notícias ao Minuto Brasil – Brasil 

Leia mais

Campanha incentiva doação de leite materno no país

 A profissional de saúde Luciana Simões Gripp Barros doou o excedente de leite até os nove meses da filha mais velha e parou com o início da pandemia de covid-19 porque não ainda havia estudos sobre a doença. Agora, com a filha mais nova com menos de um mês, ela voltou a doar no Banco de Leite do Instituto Fernandes Figueira, da Fundação Oswaldo Cruz (IFF/Fiocruz), situado no bairro do Flamengo, zona sul do Rio de Janeiro.

Segundo Luciana, quando a mulher vira mãe começa a olhar para o bebê de outra forma. “Começa a se colocar no lugar daquela mãe que tem filho prematuro, que não tem leite suficiente ou que não pode amamentar. Tudo muda. O nosso olhar fica mais atento ao bebê”. Ela explicou que quando a mulher tem filho, os hormônios ficam tão à flor da pele que trazem uma sensibilidade que leva a perceber e se colocar realmente no lugar do outro. “É um emaranhado de sentimentos. É gratidão, empatia, é você também ser grato a Deus por ter a oportunidade de amamentar suas filhas. Então, fazer isso pelo outro é uma forma de retribuição pelo que você tem”.

O primeiro banco de leite humano do país foi criado em outubro de 1943, no Instituto Nacional de Puericultura, hoje IFF/Fiocruz, alcançando cinco unidades até os anos 80. O número começou a aumentar a partir daí e se configurou como Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano (Rede BLH-BR) durante um congresso, em 1985.

A coordenadora da Rede BLH-BR, Danielle Aparecida da Silva, também coordenadora do Banco de Leite Humano (BLH) do IFF/Fiocruz, informou que em outro congresso, em 2010, essa rede se estendeu como rede global de bancos de leite humano. “Porque só de 2005 em diante, a gente conta com a participação de outros países da América Latina e, depois, da Península Ibérica, do Caribe, da América e África.” Mais recentemente, aderiram países do Brics (bloco que reúne o Brasil, a Rússia, Índia, China e África do Sul). A rede brasileira serviu de inspiração para a Rede Global de Bancos de Leite Humano (rBLH). “Ela se amplia para uma rede global. Somos um único modelo, uma única ação”.

A Rede BLH-BR se tornou referência mundial pelo modus operandi (modo de operação), disse Danielle. O modelo introduzido no Brasil na década de 40 era anglo-saxão e entendia o uso do leite humano como um medicamento para as crianças que não respondiam bem ao tratamento quando internadas. Mas, quando o trabalho dos bancos foi iniciado em rede, o leite humano passou a ser visto muito mais do que um medicamento, como um alimento funcional, com características próprias, capazes de promover o crescimento e desenvolvimento de recém-nascidos vulneráveis internados na UTI neonatal. “E mais que isso: A gente traz para dentro do banco de leite assistência e atenção ao aleitamento materno. Ou seja, o banco de leite passa a ser um centro de apoio à amamentação, um centro de proteção, promoção e apoio ao aleitamento materno”, reforçou Danielle.

Qualquer mulher que tenha dúvidas sobre algumas intercorrências durante o período de amamentação pode se dirigir a um banco de leite humano, onde a equipe multidisciplinar irá apoiá-la nesse momento, indicou a coordenadora. Por isso, o banco passa a ser visto também pelo Ministério da Saúde como ferramenta de promoção do aleitamento materno e instrumento para diminuição da mortalidade infantil nesse quesito neonatal. Aí, começa a ter a visibilidade para outros países. “Assim, a gente começa a implementar uma cooperação técnica em bancos de leite humano”, destacou a coordenadora.

O Brasil conta, atualmente, com 228 bancos de leite humano e 240 postos de coleta. São Paulo é o estado com maior número de bancos (58) e tem 49 postos de coleta. Do total de mais de 234 mil litros de leite humano coletados durante o ano passado pela Rede BLH-BR, o Distrito Federal foi a unidade federativa que coletou a maior quantidade de leite humano: 15.162 litros. “É onde existe maior autossuficiência de leite humano”. O estado do Rio de Janeiro tem 17 bancos de leite humano e 18 postos de coleta.

A campanha deste ano do Dia Mundial de Doação de Leite Humano tem o slogan “Um pequeno gesto pode alimentar um grande sonho”. Danielle aproveitou para dizer às mulheres que produzem quantidade excedente de leite que podem entrar em contato com os bancos e fazer sua doação. “Ao amamentar, ela sonha para o filho um futuro melhor. E, quando ela doa, permite que outras mães sonhem também, porque está doando para um bebê prematuro, que está na UTI neonatal, que nasceu antes da hora e ainda precisa muito dessa doação para o crescimento e o desenvolvimento saudável. Porque o leite humano é o melhor alimento, que tem todos os seus ingredientes de forma apropriada para o crescimento dessa criança”.

O leite humano tem ainda características de prevenção de diarreia, de doenças cardiovasculares, de diabetes; é um alimento contra infecções. A mulher que doa leite humano está ajudando, apoiando a vida saudável de outro bebê. A média é de 40 recém-nascidos prematuros internados no IFF/Friocruz por mês.

Para se tornar doadora, a mulher deve ligar para o banco de leite do IFF/Fiocruz, no número gratuito 0800 026 8877, e se cadastrar. São solicitados os últimos exames pré-natais. Ao fazer o cadastro, a mãe recebe orientação sobre como extrair e colher o leite, disse Danielle. Imediatamente após a coleta, o leite deve ser congelado em frascos de vidro esterilizados que a mãe recebe do banco de leite humano e etiquetados. O material pode permanecer congelado por 15 dias. “A mãe coloca o nome dela e a hora da coleta na etiqueta”. Na semana seguinte, representantes do IFF recolhem o leite congelado na casa da doadora e deixam mais frascos e etiquetas.

As mães não devem fumar, nem fazer uso de bebidas alcoólicas ou drogas ilícitas. Serão doadoras durante o tempo que quiserem. Não há restrição quanto ao volume doado. O leite doado aos BLHs e Postos de Coleta passa por rigoroso processo de seleção, classificação e pasteurização até que esteja pronto para ser distribuído com qualidade certificada a bebês internados em unidades de terapia intensiva neonatais.

As mulheres em fase de amamentação que se interessem em doar ou tirar dúvidas podem entrar em contato com o Banco de Leite Humano (BLH) do IFF/Fiocruz pelos números 0800 026 8877, (21) 2554-1703 ou (21) 9 8508-6576 (whatsapp).

No próximo dia 23, o banco de leite humano do IFF/Fiocruz promoverá um evento de celebração com as mães doadoras e mães dos recém-nascidos prematuros internados na UTI Neonatal da instituição. Durante todo o mês de maio, a unidade está realizando o Curso de Aconselhamento em Aleitamento Materno para os seus profissionais de saúde. 

 O primeiro banco de leite humano do país foi criado em outubro de 1943, no Instituto Nacional de Pue…  Read MoreBrasil  Notícias ao Minuto Brasil – Brasil 

Leia mais

Hospitais em SP têm aumento de crianças internadas com síndrome respiratória

(FOLHAPRESS) – Uma pesquisa com hospitais paulistas concluiu que recentemente 69% deles viram aumento de crianças internadas com síndrome respiratória aguda grave (SRAG). O número de menores doentes fez com que grande parte dessas instituições também reportasse um avanço na ocupação de leitos clínicos e de UTI, indicativo que os pacientes estão evoluindo a quadros graves.

O levantamento, realizado pelo Sindhosp (Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo), contou com a participação de 56 hospitais paulistas entre 8 e 12 de maio. E

les responderam se observam aumento de internações nos últimos 15 dias.

Crianças com infecções respiratórias nesse período do ano são mais comuns, em especial porque os patógenos são transmitidos com maior facilidade durante as estações frias.

“No período do outono/inverno prevalecem doenças respiratórias e a recomendação é que a população se previna e não esqueça da vacinação”, afirmou o médico Francisco Balestrin, presidente do Sindhosp.

Porém alguns fatores pioram o ano atual, afirma Marcelo Otsuka, vice-presidente do departamento de infectologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP). Ele explica que, durante a pandemia de Covid-19, muitas crianças não foram infectadas pelos agentes que normalmente causam quadros respiratórios.

Com o arrefecimento da crise sanitária, esses menores estão sendo submetidos atualmente a vírus respiratórios. Além dessas, há uma quantidade de menores que normalmente já iriam se infectar no ano atual. Em conjunto, esse contingente de pequenos pode significar um número acima da média de infectados, assim como uma circulação superior dos agentes.

Os quadros mais graves das doenças também são uma realidade -carga viral mais alta e a queda na vacinação infantil são dois fatores que explicam maior gravidade, aponta Otsuka. Na pesquisa do Sindhosp, por exemplo, entre os hospitais que responderam haver aumento de internações de crianças por síndrome respiratória, 71% apontaram que o incremento de hospitalizações em leitos hospitalares foi de 21% a 39%.

Otsuka explica que a evolução de infecções virais para quadros mais complexos abre uma janela a outros problemas de saúde, como infecções bacterianas que podem levar a uma pneumonia e demandam uso de antibióticos.

Por isso, o médico recomenda que medidas preventivas devem ser tomadas. Uma das mais importantes é a vacinação. Gripe e Covid-19 são duas doenças respiratórias causadas por vírus que contam com vacinas distribuídas gratuitamente pelo PNI (Programa Nacional de Imunizações).

Mas ainda não existem vacinas para alguns patógenos, como o VSR (vírus sincicial respiratório), que causa a bronquiolite em bebês. Nesse caso, higienização, isolamento de criança em caso de infecção e uma alimentação adequada são algumas ações possíveis de serem tomadas.

A importância de adotar medidas contra o VSR é ainda mais relevante porque ele é o responsável por boa parte das internações e impacta principalmente os menores, grupo de maior risco para fatalidades. “Nas crianças, o vírus sincicial respiratório segue sendo o principal vírus identificado, sendo responsável pelo cenário atual nesse público”, escrevem pesquisadores da Fiocruz no último boletim do Infogripe, projeto da instituição.

O levantamento compilou dados de até 6 de maio e concluiu que, das internações por SRAG com testes positivos a vírus respiratórios em todo o país, 47% foram ocasionadas pelo VSR, seguido pelo Sars-CoV-2, que causa a Covid-19, com 25%, e em menor grau por cepas de influenza.

O boletim também alerta que há uma tendência de crescimento moderado no país para síndrome respiratória. Por exemplo, a tendência de aumento de longo prazo, quando se observa o que ocorreu nas últimas seis últimas, foi vista em 19 estados brasileiros, mas São Paulo não está entre eles.

Leonardo Bastos, um dos pesquisadores que faz parte do Infogripe, explica que o estado está com um número estável de SRAG, mas ainda assim preocupante. “São Paulo está meio que estável, mas num patamar alto”, resume.

Segundo a Secretaria de Estado de Saúde, são 888 leitos de terapia semi-intensiva e de UTI para crianças em São Paulo. “Atualmente, a taxa média de ocupação pediátrica é de 72,07% para hospitais de administração direta, e de 75,64% para hospitais geridos por Organizações Sociais de Saúde (OSS).”

A Secretaria Municipal da Saúde disse que, para SRAG, 50% dos leitos de UTI estavam ocupados nesta quarta (17) na capital paulista.

Mesmo assim, o estado ainda concentra uma quantidade grande de hospitalização em menores de quatro anos por síndrome respiratórias. Na semana de 30 de abril a 6 de maio, foram registrados 2.500 novos casos de SRAG em todo o Brasil nesse público. Desses, 500 foram em São Paulo -ou seja, 20% do total.

Leia Também: Jamais ignore: Sinais que podem indicar uma doença grave no intestino

 O número de menores doentes fez com que grande parte dessas instituições também reportasse um avanço…  Read MoreBrasil  Notícias ao Minuto Brasil – Brasil 

Leia mais

Desmatamento por mineração caiu 95% no território yanomami, diz Flávio Dino

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, apresentou dados que mostram queda de 95% no desmatamento por mineração em território yanomami e de 38% na Amazônia Legal.

Segundo o ministro, os dados são emitidos por uma plataforma coordenada pela Polícia Federal que funciona com base em sistemas de alertas derivados de imagens de satélite. As informações foram dadas em entrevista coletiva nesta quinta-feira (18).

Os dados apontam que, no território yanomami, em abril de 2022 foram emitidos 444 alertas de desmatamento por mineração em 2,10 km² do território. Já em abril de 2023 foram 19 alertas (queda de 95,72%) em 0,07 km².
Já em toda a Amazônia Legal, presente em nove estados brasileiros, a redução foi de 38,31% de janeiro a abril de 2023, na comparação com o mesmo período de 2022. Foram 13.872 alertas em uma área de 80,36 km² em 2022, e 8.557 alertas neste ano, em uma área de 50,52 km².

“É uma redução muito aquém do que necessitamos e desejamos, mas em quatro meses é uma redução visível, tangível, concreta, não meramente especulativa”, disse o ministro.

A Terra Indígena Yanomami foi demarcada em decreto de 25 de maio de 1992, na gestão do então presidente Fernando Collor de Mello, e possui superfície de 9.664.975,48 hectares e perímetro de 3.370 km, sendo a maior reserva indígena do Brasil.

Ela está localizada nos municípios de Boa Vista, Alto Alegre, Mucajaí e Caracaraí, no noroeste de Roraima, e Santa Izabel do Rio Negro, Barcelos e São Gabriel da Cachoeira, no norte do Amazonas.

O ministro disse que se reuniu com o presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Aloizio Mercadante, para apresentar as propostas de provimento do Plano Amazônia: Segurança e Soberania, elaborado em parceria com o Ministério da Defesa.

O plano prevê reforço de efetivo das forças de segurança, modernização de ferramentas tecnológicas e programas de valorização e capacitação de agentes que atuam na área, além de implementação, na região, do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania, o Pronasci.

A intenção é que o banco disponibilize R$ 1 bilhão para a região. Também está previsto o empenho de cerca de R$ 800 milhões de recursos próprios da pasta.
“O Fundo Amazônia é o destinatário desse nosso pleito. O Fundo Amazônia pode aportar recursos para o eixo chamado de comando e controle e foi esse o motivo da reunião técnica no BNDES hoje”, disse Dino.

 Os dados apontam que, no território yanomami, em abril de 2022 foram emitidos 444 alertas de desmata…  Read MoreBrasil  Notícias ao Minuto Brasil – Brasil 

Leia mais

Perícia encontra fungos e ovos de parasitas em molhos da Fugini no RS

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – Laudos do Instituto Geral de Perícia do Rio Grande do Sul apontaram contaminação por fungos e ovos de parasitas em amostras de molho de tomate da marca Fugini.

A perícia considerou produtos de lotes diversos e adquiridos em mercados diferentes. “Todos eles têm exatamente a mesma análise para os fungos e os ovos de parasita que foram encontrados”, disse Souza.

A contaminação torna o produto impróprio para consumo humano porque alimentos com fungos estão associados a toxinas prejudiciais à saúde, avaliou a perícia em laudo enviado nesta quarta-feira (17) às autoridades.

Entre as consequências, o laudo aponta a piora de quadros alérgicos ou “diversos tipos de infestação nos humanos”, detalhou a delegada Jeiselaure de Souza, da 1ª Delegacia de Polícia de Viamão, cidade da região metropolitana de Porto Alegre.

A empresa ainda não foi convocada a se manifestar, o que deve ser feito amanhã, afirmou a delegada. “Agora, o desdobramento da investigação será com a intimação dos responsáveis da empresa, para que venham efetivamente aqui ser interrogados e aí nas próximas semanas, possivelmente, já vamos ter a conclusão deste inquérito”, informa Jeiselaure.

À reportagem, a Fugini informou que está deixando de usar conservantes artificiais em seus produtos e alguns ingredientes. Segundo a empresa, esse processo, associado à falta de conhecimento da população, está provocando “rumores infundados” entre consumidores. Ainda de acordo com a companhia, o processo dela é automatizado e o índice de ocorrências é de três em cada milhão.

“Isso não significa, de forma alguma, que o produto tenha um problema de qualidade, mas sim que ele está passando por um processo de oxidação ou decomposição natural, assim como pode acontecer com as frutas, o ovo ou o pão, por exemplo. Esse fato também pode ocorrer pelo armazenamento por período incorreto na geladeira”, afirmou a Fugini, em nota à reportagem.

INQUÉRITO NÃO TEM RELAÇÃO COM AVALIAÇÃO DA ANVISA SOBRE MARCA

Em março deste ano, a Anvisa chegou a suspender a venda de produtos da Fugini após “falhas graves” na fabricação dos produtos durante inspeção sanitária na fábrica da empresa. A suspensão caiu em abril após nova visita técnica da inspeção sanitária.

O inquérito em curso envolvendo molhos de tomate da marca foi instaurado em dezembro de 2022 e não tem relação com a decisão da Anvisa, explicou a delegada.

A motivação foi a reclamação de consumidores, que publicaram nas redes sociais vídeos de “corpos estranhos” que saía dos produtos da marca.

 A contaminação torna o produto impróprio para consumo humano  Read MoreBrasil  Notícias ao Minuto Brasil – Brasil 

Leia mais

Homem em situação de rua é encontrado morto em São Paulo após madrugada fria

Um morador de rua de 58 anos foi encontrado sem vida embaixo da Passarela Vanzolini com a Alameda Santos, no bairro Jardins (zona oeste), em São Paulo, na manhã do último domingo, 14. O homem foi identificado como Odair Mesquita dos Santos.

Representantes de movimentos em defesa da população de rua atribuem a morte de Odair ao frio que atingiu a capital durante a noite.

Em nota, a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS) lamentou a morte de Odair. Segundo a pasta, as equipes do Serviço Especializado de Abordagem Social (SEAS) realizaram 13 atendimentos sociais à vítima, somente em 2023, ofertando encaminhamentos para os serviços da rede socioassistencial da prefeitura, porém, não houve aceite de acolhimento.

A SMADS afirma ainda que das 20h de sábado, 13, até as 7h de domingo realizou 641 encaminhamentos aos serviços de acolhimento da rede socioassistencial. “Também distribuiu 3.618 cobertores por meio das abordagens realizadas pelo Serviço Especializado de Abordagem Social (SEAS), atendimentos de chamados via Central 156, feitos pelas equipes da Coordenação de Pronto Atendimento Social (CPAS), pelos atendimentos das equipes do Ampara SP e nas dez tendas de atendimento à população em situação de rua.”

Além disso, nas dez tendas foram distribuídos, na última noite, 18.848 itens de alimentação, como sopa, pão, chocolate quente, chá e água, e aplicadas 173 vacinas contra a covid-19 e a influenza”, disse a secretaria.

Também questionada sobre a morte do morador de rua, a Secretaria de Segurança Pública do Estado (SSP-SP) não se pronunciou.

A vítima foi encontrada por assistentes sociais, que chamaram o serviço do Samu e a Polícia Militar. O corpo foi conduzido ao Instituto Médico Legal (IML).

O laudo que aponta a causa da morte não foi divulgado. Mas, se confirmado o óbito em decorrência do frio, Odair seria a primeira pessoa a morrer em São Paulo, neste ano, em função das baixas temperaturas.

Segundo o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) de São Paulo, a capital paulista registrou durante a madrugada do dia 14 uma temperatura média mínima de 11,6ºC. Na região de Perus, zona norte, os termômetros marcaram 9,1ºC, segundo o centro de gerenciamento; e na divisa de Parelheiros com Capela do Socorro, na zona sul, a estação meteorológica do local chegou a registrar 6,4°C.

Uma imagem de Odair divulgada nas redes socais por perfis que defendem os direitos das pessoas em situação de rua mostra o homem coberto com algumas mantas e um gorro sobre a cabeça. Pelas fotos, é possível ver que a vítima estava com o corpo bastante fragilizado.

Segundo o xeque Rodrigo Jalloul, que atua em defesa da população de rua junto com o padre Julio Lancellotti, o estado de saúde debilitado de Odair já havia sido informado para a rede assistencial do município.

No primeiro trimestre deste ano, 72,1 mil solicitações foram registradas no Disque 156 da Prefeitura de São Paulo visando atendimento aos moradores de rua. A maioria dos chamados foi feito para o serviço de atendimento social a esse público.

 O homem foi identificado como Odair Mesquita dos Santos  Read MoreBrasil  Notícias ao Minuto Brasil – Brasil 

Leia mais