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Dois meses após o brutal assassinato de quatro homens em Icaraíma, no Noroeste do Paraná, familiares das vítimas romperam o silêncio e divulgaram uma carta pública pedindo Justiça e o fim da impunidade. O crime, que teve como origem uma negociação de um sítio, chocou a região e ainda não teve todos os responsáveis presos.

O documento, assinado por parentes de Rafael MarascalchiDiego Afonso e Robishley Hirnani, expressa o sofrimento das famílias e o sentimento de abandono diante da falta de respostas.

“Quatro vidas foram arrancadas de suas famílias, quatro histórias interrompidas sem chance de defesa”, diz um trecho da carta.

Em outro ponto, os familiares reforçam o apelo por responsabilização:

“Queremos que quem cometeu essa crueldade pague pelos seus erros. Justiça não é vingança, é um direito.”

Crime motivado por disputa de terra

De acordo com as investigações, o caso teve início após um desacordo comercial envolvendo a venda de um sítio de cinco alqueires no distrito de Vila Rica do Ivaí, avaliado em cerca de R$ 750 mil. O agricultor Alencar Gonçalves de Souza, que também foi morto, havia adquirido a propriedade de Antônio Buscariollo, de 62 anos, mas, após o financiamento ser negado, devolveu o imóvel e passou a cobrar a devolução dos R$ 255 mil pagos antecipadamente.

Com o atraso nas parcelas, Alencar contratou o paulista Diego Henrique Afonso, de 39 anos, para ajudar na cobrança. Diego viajou de São Paulo acompanhado de Rafael e Robishley, ambos moradores de São José do Rio Preto (SP).

Encontro terminou em tragédia

Segundo a polícia, Antônio e o filho Paulo Ricardo Buscariollo, de 22 anos — principais suspeitos do crime —, marcaram uma reunião com Alencar e os paulistas no dia 5 de agosto. O que seria uma tentativa de acordo terminou em uma emboscada.

No local, a perícia encontrou cápsulas de diferentes calibres e vestígios de tiros em árvores. A investigação aponta que as vítimas foram executadas ainda na propriedade rural, em plena luz do dia.

Corpos encontrados após 45 dias

As buscas duraram mais de seis semanas e mobilizaram diversas equipes policiais. Na madrugada do dia 19 de setembro, os corpos foram encontrados enterrados em uma área rural de difícil acesso. A localização foi possível após novas informações surgirem durante as investigações.

Famílias clamam por respostas

Na carta, os parentes relatam a dor de viver sem respostas e criticam o que chamam de “silêncio das autoridades”.

“Não é só a ausência. É ver filhos crescerem sem o abraço do pai, mães e esposas convivendo com o vazio. A dor foi agravada por mentiras e falsas versões sobre quem eles eram”, afirmam.

Suspeitos seguem foragidos

A Justiça decretou a prisão preventiva de Antônio e Paulo Ricardo Buscariollo em 8 de agosto, mas até hoje pai e filho permanecem foragidos. O caso segue sob investigação da Polícia Civil, com apoio do Ministério Público e equipes especializadas.

Um crime que chocou o Paraná

O episódio é considerado um dos mais violentos já registrados no Noroeste do estado, ganhando repercussão nacional pela brutalidade e pela complexa rede de envolvimentos. Enquanto as autoridades seguem as buscas, as famílias das vítimas continuam unidas em um só propósito: “Nossa voz é por eles — por memória, por verdade e por justiça.”