Pedágio retorna ao noroeste do Paraná em 2026 e prevê novas praças em Cianorte, Umuarama e Francisco Alves
A cobrança de pedágio nas rodovias do Paraná está cada vez mais próxima de voltar e deve atingir diretamente municípios do noroeste do Estado, como Cianorte, Umuarama e Francisco Alves. Após mais de quatro anos sem tarifas — desde o encerramento dos antigos contratos em novembro de 2021 — o novo modelo de concessões prevê o início da cobrança de forma gradual a partir do primeiro trimestre de 2026, nos chamados Lotes 4 e 5.
De acordo com o cronograma oficial, os contratos com as concessionárias vencedoras devem ser assinados em fevereiro de 2026. Após a assinatura, as empresas terão um prazo de até 30 dias para assumir a administração das rodovias. A cobrança do pedágio só poderá começar depois do cumprimento das exigências contratuais previstas em edital.
Lote 4 terá impacto direto na região de Umuarama
O Lote 4 é considerado um dos mais relevantes para o noroeste paranaense. Ele inclui a PR-323, no trecho entre Maringá e Guaíra, que soma cerca de 302 quilômetros e nunca teve pedágio até então. Com a nova concessão, estão previstas quatro novas praças ao longo da rodovia, além de uma unidade instalada em Umuarama.
O leilão foi vencido pelo Consórcio Infraestrutura Paraná, formado pelo Grupo EPR e pela empresa Perdin, que apresentou desconto de 21,3% sobre a tarifa básica. O contrato terá validade de 30 anos e abrange 11 rodovias — oito estaduais e três federais — totalizando 627 quilômetros e passando por 33 municípios.
Ao todo, o Lote 4 contará com nove praças de pedágio, sendo cinco delas inéditas.
Valores estimados das tarifas
As tarifas para veículos de passeio variam conforme o local. Em Umuarama, o valor leiloado foi de R$ 14,61, com tarifa estimada em R$ 11,40 após o desconto. Em Cianorte, a cobrança pode chegar a R$ 8,24, enquanto em Francisco Alves o valor estimado é de R$ 5,97.
O pacote de concessão prevê investimentos de aproximadamente R$ 18 bilhões ao longo do contrato, sendo R$ 10,8 bilhões destinados exclusivamente a obras. Um dos principais destaques é a duplicação de mais de 150 quilômetros da PR-323, com foco na redução de acidentes e melhoria da fluidez do tráfego.
Intervenções e obras previstas
Além das duplicações, o contrato inclui a construção de faixas adicionais, vias marginais, passarelas para pedestres, pontos de ônibus, barreiras acústicas e passagens de fauna. Também estão previstos quatro contornos urbanos, entre eles o de Maringá Sul.
As intervenções se estendem por diversos municípios. Em Paiçandu, será construída uma nova passarela e implantada ciclovia em trecho urbano. Doutor Camargo receberá via marginal e um viaduto do tipo Parclo para reorganizar o tráfego.
No trecho que passará por duplicação, estão previstos novos viadutos, como o Trombeta no entroncamento com a PR-554, além da construção de uma ponte sobre o Rio Ivaí. Em Terra Boa, dois viadutos do tipo Diamante substituirão rotatórias, juntamente com uma nova ponte sobre o Rio São Mateus.
Jussara contará com múltiplos viadutos e novas pontes, enquanto Cianorte concentrará um dos maiores volumes de obras, incluindo Parclos, Diamantes, passarelas, vias marginais, ciclovias e pontes sobre os rios Catingueiras e dos Índios. Outras cidades como Tuneiras do Oeste, Tapejara, Cruzeiro do Oeste e Umuarama também receberão melhorias estruturais significativas.
Lote 5 também atinge o noroeste
O Lote 5 ficará sob responsabilidade da Reune Rodovias Holding II, ligada ao Pátria Investimentos. O trecho soma 433 quilômetros, passa por 16 municípios e contará com cinco praças de pedágio. A concessionária ofereceu desconto de 23,83% e prevê investimentos de R$ 11,8 bilhões ao longo de 30 anos, incluindo duplicações, vias marginais, interseções, ciclovias e contornos urbanos, como o de Guaíra.
Entre avanços e novos custos
O conjunto de obras previsto, especialmente no Lote 4 da PR-323, representa um avanço importante em infraestrutura viária, atendendo a reivindicações antigas de moradores, motoristas e do setor produtivo. A expectativa é de mais segurança, melhor mobilidade e integração regional.
Por outro lado, a retomada do pedágio inaugura um novo cenário de despesas para usuários e municípios, que passarão a lidar com custos que não existiam nos últimos anos, tanto no deslocamento diário quanto no transporte de mercadorias.
Fonte: OBendito
Redação: Luzitana Lu
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